Ficar com dívidas pendentes pode ocorrer a qualquer um de nós e é importante saber como proceder na hora de quitá-las. Embora alguns indivíduos ajam de má-fé ao negligenciar suas obrigações financeiras, muitas pessoas acabam ficando nesta situação por serem vítimas de algum imprevisto e terem que arcar com despesas que extrapolam o orçamento. A perda do emprego, por exemplo, é um desses imprevistos e ainda é algo recorrente entre os brasileiros. De acordo com matéria apresentada na Folha e segundo dados do IBGE o Brasil contabilizou 14 milhões de desempregados em 2017

Sem salário é extremamente difícil arcar com as despesas primordiais, sendo praticamente impossível pagar em dia todas as dívidas que haviam sido contraídas durante a condição de empregado e com previsões reais de serem pagas. Nesse contexto, até que o indivíduo encontre outro emprego, juros são acumulados sobre o seu saldo devedor, o seu nome passa a constar nos Serviços de Proteção ao Crédito, ficando com o “nome sujo” e encontrando restrições para fazer compras, contratar serviços e outros.

A renegociação

Para resolver esta questão, muitas instituições financeiras recorrem à renegociação, o que também pode ser solicitado pelo cliente. Porém, por falta de uma devida regulamentação legal, as condições dessas renegociações sempre acabam por ser ditadas pela própria instituição, com a cobrança de juros, taxas e multas indevidas e extrapolando o orçamento do cliente, mesmo que tenha encontrado outro trabalho ou já tenha regularizado parte da sua situação financeira. Neste caso, a renegociação torna-se mais uma dor de cabeça do que uma solução e em vez de sair da situação de devedor, o consumidor é pego pela famosa “bola de neve”.

De acordo com órgãos de defesa do consumidor, o cliente que deve e opta por renegociar a sua dívida deve ficar de olho nas condições impostas. A economista Ione Amorim do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor chama atenção para o fato de a falta de regulamentação dar brechas para condições abusivas e recomenda que o consumidor só aceite a renegociação se as novas parcelas couberem no seu bolso. Assim, é necessário analisar com cautela se a imposição de juros, taxas e multas são cobradas de forma justa. Caso contrário, o consumidor pode apresentar uma contraproposta.

Quando renegociamos uma dívida, podemos entender que um novo contrato foi redigido, com novas condições que têm como objetivo o pagamento da dívida, regularizando a situação do consumidor perante os órgãos de proteção ao crédito. É importante entender que a renegociação de dívidas não pode ser uma forma de lucrar sobre a situação de inadimplência do consumidor.
Para as instituições financeiras, o cliente que não tem condições de pagar uma dívida imediatamente é valioso, já que os juros são uma forma eficiente de obter maiores lucros. No caso da falta de um acordo entre consumidor e instituição financeira, o mais recomendável é procurar um advogado para que o caso seja analisado pelo Judiciário e que abusos sejam evitados, de modo que a dívida seja paga justamente.