Milhares de pessoas já passaram por este tipo de situação. No momento de fidelizar-se a uma companhia telefônica, de seguros ou de qualquer outra natureza, os vendedores invariavelmente afirmam que a relação entre cliente e empresa é bastante transparente e sempre sugerem que o consumidor tem total autonomia para desfazer-se do contrato e romper relações com a empresa, caso assim deseje.

No entanto, por mais que um vendedor sempre garanta que a relação será benéfica e que não há riscos de dores de cabeça, é preciso estar atento no modo como as empresa procedem. Em muitos casos, na tentativa de reter o cliente, se valem de artifícios de fidelização que podem ser ilegais. Afinal, um cliente não deve sentir-se obrigado a permanecer fazendo negócios com uma empresa que não deseja. Um dos maiores problemas da fidelização de clientes é que na maioria dos casos esta não é feita de forma genuína. Ora, o cliente que se fideliza o faz por apreciar o trabalho da empresa e acreditar que o produto ou serviço oferecido lhe tem algum valor.

A fidelização forçada implica uma série de problemas. Muitos clientes são receosos de fechar contratos justamente pelo fato de se sentirem presos, tendo que pagar quantias absurdas para rescindi-los. Além disso, acontece com frequência de encontrar dificuldades para encerrar o seu vínculo com as empresas devido à insistência dos atendentes para que permaneça. Em casos extremos, ocorre que, após o cancelamento da conta e a eliminação do vínculo, boletos de cobrança continuam chegando à casa do cliente, deixando-o desesperado a se perguntar se deve ou não efetuar o pagamento, já que o seu nome pode passar a constar no Serviço de Proteção ao Crédito. O que fazer em uma situação como esta?

Contato com a empresa e com o seu advogado

Você pode tentar contatar a empresa para esclarecer a questão, mas não havendo a intenção de colaborar com o seu caso, evite perder tempo e procure imediatamente um advogado, especialmente se o seu nome já consta no SPC ou em algum outro órgão de Proteção ao Crédito. É importante lembrar que, neste caso, você encontrará diversas restrições para adquirir bens e serviços e tem direito a danos morais caso tenha efetuado devidamente o cancelamento do serviço junto à empresa. Ainda que não possua os comprovantes de cancelamento, você pode solicitar a inversão do ônus da prova.

Vivo pagou 10 mil a cliente por enviar boletos de conta já cancelada

Uma cliente de Campo Grande foi fidelizada à operadora Vivo e decidiu cancelar o serviço, mas os boletos continuaram vindo. Ao entrar em contato com a operadora, a cliente foi informada de que a cobrança era, de fato, indevida. Porém, ainda assim o seu nome foi enviado ao Serviço de Proteção ao Crédito. Em audiência, a operadora buscou alegar que a cobrança era devida, pelo fato de o cancelamento ter sido feito no período de fidelização.

Porém, o juiz Geraldo de Almeida Santiago considerou que a empresa agiu de forma leviana, já que efetuou cobrança posterior à solicitação de cancelamento e ainda causou a negativação do nome da cliente junto aos órgãos responsáveis, ficando clara a ocorrência de danos de ordem moral.