Não é raro que muitas pessoas não saibam dizer com certeza de onde surgiram algumas garantias como diferentes tipos de seguros e aposentadoria. Alguns até acreditam ser algo um tanto óbvio, já que no sistema capitalista, tal qual o entendemos hoje, esses direitos parecem ser mesmo inquestionáveis. No entanto, para entender melhor a complexidade do que estamos falando, precisamos esquecer o mundo de hoje e fazer uma viagem ao passado. Imagine indivíduos trabalhando incansavelmente ao longo de muitos anos, sendo arrebatados, mais tarde, por doenças (algumas até mesmo desencadeadas pelo próprio ofício) ou pela velhice – dois fatores que configuram impedimento para o desempenho de qualquer função laboral. Sem a existência de nenhum tipo de seguridade social, estas pessoas ficavam à mercê da caridade dos mais ricos, da família ou de estranhos, quando tinham sorte.

A primeira demonstração formal da preocupação com imprevistos e acidentes, data de 1344, quando foi firmado o primeiro contrato de seguro marítimo. Depois disso, temos o exemplo do surgimento dos seguros contra incêndios. Até aí, o que podemos entender é que as primeiras mobilizações em torno disso começaram devido à preocupação com as cargas e outros bens materiais, de modo que garantias similares para a família de um trabalhador falecido ou para o próprio trabalhador após algum tipo de acidente só ocorreu anos mais tarde, com o surgimento das confrarias (ou guildas), que eram associações de caráter religioso. Essas associações incluíam trabalhadores com a mesma preocupação: obter garantias de sustento caso algum imprevisto os impedisse de continuar trabalhando. A associação recolhia contribuições anuais dos integrantes, utilizando o montante para o caso de velhice, doença e também pobreza.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           O homem finalmente pareceu entender que não podia trabalhar para sempre e a política passou a buscar formas de impor à sociedade que contribuísse para fundos de seguridade social. Na Inglaterra, a mais forte potência europeia na época,  em 1601 surge o Poor Relief Act (lei de amparo aos pobres), que obrigava a contribuição por parte de todos os ocupantes e usuários de terras. A administração deste fundo era administrada por inspetores e regulada por juízes. A partir de então, novos tipos de seguro foram criados. Outro importante marco – talvez o maior deles – foi a aprovação do projeto de bem-estar social criado por Otto Von Bismarck, notável chanceler alemão. Bismarck conseguiu que a questão da seguridade se transformasse de modo a ser caracterizada pelo constitucionalismo, instaurada dentro de cada país por constituição própria.

No Brasil, a questão da previdência é definida pelo Artigo 201 da Constituição Federal, que organiza a previdência social em “regime geral, de caráter contributivo e filiação obrigatória”, de modo que todo trabalhador precisa destinar parte do seus ganhos a esta causa. A previdência abrange cobertura em casos de gravidez, doença, morte, idade avançada e invalidez; proteção à maternidade e à gestante; ao trabalhador desempregado involuntariamente; aos dependentes de segurados de baixa renda e aos dependentes do contribuinte falecido (cônjuge e filhos).