No dia 17 de março presenciamos um escândalo por parte de duas grandes empresas que são referência mundial  no setor de produção e exportação de carne e embutidos. Em uma minuciosa operação chamada de “Carne Fraca” liderada pela Polícia Federal, foi descoberto que a BRF e a JBS vinham colocando no mercado produtos em alarmante desobediência com as exigências sanitárias: carnes com a data de validade vencida e aditivos altamente cancerígenos para disfarçar o sabor; produtos como salsicha e linguiça acrescidos de água e papelão para reduzir custos e aumentar o peso e volume; produção de alimentos com partes de animais proibidas para venda (cabeça de porco para rechear linguiças), entre outras inobservâncias das normas que deixou todo o país alarmado, tomando consciência da incrível importância da responsabilidade conferida às indústrias responsáveis pelos produtos que consumimos diariamente e que nos pode comprometer a saúde de modo irreversível.

Acredita-se não haver modo de atenuar a pena destas empresas ou mesmo desmentir os fatos, que foram comprovados pela Polícia Federal e por especialistas no assunto que testaram os produtos. A indignação é tamanha e uma das maiores perguntas que nós fazemos é: quais serão as punições aplicadas? A empresa pagará devidamente pelos imensuráveis danos causados à população ou sairá impune devido ao fato de ser influente? Preparamos este artigo em uma tentativa de buscar selecionar quais são as principais atitudes tomadas pela justiça até o momento e mostrar qual tem sido a sua reação diante destes fatos.

Bloqueio de contas

A justiça do Paraná determinou o bloqueio de 1 bilhão em dinheiro das contas (bens materiais estão incluídos no bloqueio) de pessoas investigadas ou envolvidas no caso. Trata-se de medidas cautelares previstas no Código de Processo Penal. De acordo com o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, o bloqueio garante que sejam pagas prováveis indenizações exigidas ao fim do processo, bem como que o dinheiro (ganhado de forma indevida) não seja utilizado para desfrute dos criminosos. De acordo com a Polícia Federal, as irregularidades vinham ocorrendo por todo o país e fiscais recebiam propina para deixar de fiscalizar devidamente os frigoríficos.

Prisão preventiva

Foi efetuada no dia 18/03/2017 a prisão preventiva de Roney Nogueira dos Santos, que é acusado de estar envolvido na “vista grossa” da fiscalização.

Condução coercitiva, busca e apreensão

Diversos executivos das empresas foram presos e levados a interrogatório em condução coercitiva nas últimas 24 horas. Além disso, mandados de busca e apreensão em suas propriedades foram emitidos e a Polícia Federal possui liberdade e autonomia o suficiente para ir até o fundo deste caso. A justiça prevê a sanção a todos os envolvidos, incluindo frigoríficos, fiscais e mediadores. Isso também é o que espera o consumidor. O consumo de carne tem sido questionado em diversos veículos da mídia e indústrias não envolvidas podem ser duramente prejudicadas. A bolsa de valores apresentou, no dia 18/03, um recuo de 25 pontos e a exportação brasileira certamente sentirá o impacto, ainda que não atue no mesmo nicho.